Tantra é Yoga?

Muitas vertentes filosóficas se apropriaram das fundamentações do Tantra Original, associando-as com práticas e conceitos peculiares às suas tradições, subvertendo e corrompendo os seus fundamentos. O Yoga foi uma delas.

O Vedanta e o Yoga se utilizaram de muitos fundamentos do Tantra, criando muitas contradições. Por exemplo, se a visão tântrica vai além da dualidade, ultrapassando os princípios do bem e do mal, do certo e do errado, do ontem, do hoje e do amanhã, como pode haver karma e dharma? Se a vida acontece no aqui e agora, na forma como estamos atrelados a este estado de percepção e consciência, como podemos falar em consequências para o amanhã? O que é o futuro? Um campo de ajustes e reajustes, onde o imperativo de uma lei inexorável obriga que “quem feriu com o ferro”, também seja ferido por ele? O que podemos esperar para as próximas vidas? Como alguém pode afirmar algo sobre as vidas que ainda irão acontecer?

Essa visão dualista e contraditória faz parte das crenças védicas das quais o Yoga descende. O Tantra surgiu há 5 mil anos, em uma região onde a Índia e o Paquistão ainda iriam se desenvolver. É correto afirmar então que o Tantra é proveniente da Índia? O que a Índia produziu de resultados espirituais relevantes? Misérias, diferenças sociais, desvalorização de mulheres e crianças, que valem menos do que os animais… É a visão patriarcal que prevalece numa sociedade machista e imperialista.

Ao contrário do Yoga, o Tantra trata basicamente de relaxamento, aceitação e entrega, não tendo nenhuma relação com controle ou poder, seja através da mente ou do corpo físico. As tentativas de mobilizar a subida da Kundalini, por meio da língua no palato e da contração do esfíncter anal, são tentativas muito fracas, se comparadas à movimentação energética das meditações tântricas.

Mas o Tantra não é contra o Yoga, absolutamente. O Tantra adora utilizar as coisas boas da vida – e o Yoga é uma delas. É altamente recomendável e saudável a associação dos ássanas e pranayamas com as práticas meditativas do Tantra. Mas existem muitas outras coisas boas também, como o Tai Chi Chuan, o Lian Gong, a alimentação adequada, a ingestão de água, bons pensamentos, palavras e ações, boas amizades – sinceras e verdadeiras. Existem ainda a música, a dança, os processos criativos e outras formas de construção artística, exercícios, meditações ou simplesmente o nada fazer a não ser observar a natureza em todo o seu esplendor…

O tantra é inclusão, inserção, na qual todo o conteúdo inserido faz bem ao indivíduo e ao seu grupo coletivo. Se essa integração propiciar o amor e a união entre todas as criaturas, sem discriminação, criando solidariedade e respeito,  amizade e convivência pacífica entre todos, aí sim, os objetivos do Tantra estarão alcançados. Objetivos que estarão estabelecidos em uma sociedade integrada, feliz, saudável, alegre e amiga, que compartilha as incontáveis bênçãos da vida.

O Caminho do Tantra é O Caminho do Amor e O Caminho da União também.

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